Gravações, gravações, gravações…

Graças a Deus, isso pra mim é trabalho. E quanto mais trabalho melhor.
Não é apologia ao trabalho. É apologia ao não-desemprego e ao ócio nada criativo.

A maioria das pessoas que não estão envolvidas no mettier da produção de videos e filmes não sabe, mas a gravação de qualquer coisa, desde um videozinho pro YouTube, a um longa-metragem é um puta estresse. Tempo curto, pouca grana (time is money, indeed), diretor pentelho, cliente mais ainda, muita pressão pra tudo sair certo e bonito.

CLARO que nem sempre tudo acontece da melhor forma possível. Mas no fim, TEM que dar certo.

E pra que tudo dê certo é preciso que todas as partes se envolvam, até o pescoço. É como uma engrenagem: se um não faz direito, o outro não consegue trabalhar, nem o outro e assim vai.

Precisa paixão, precisa tesão. Sangue frio vai muito bem, também.

E depois que a tsunami passa, que todos já tiveram seus fígados comidos, em conjunto, é que dá pra ver a equipe. Todos no mesmo barco, com os mesmos problemas, que vão ser solucionados.

Na minha última gravação, quando eu achei que eu fosse matar alguém, ou passar mal de tanto estresse, recebi a notícia do falecimento de um conhecido de trabalho. Morte por pneumonia aos 27 anos.

Silêncio.

Pareceu que toda aquela energia que eu tava jogando fora, pro ar, caiu sobre mim quando eu recebi a notícia. Fora o choque que todo ser humano tem ao saber que algum conhecido morreu (não adianta, ninguém encara a morte bem), eu percebi que a vida é muito maior que um set de filmagem. Percebi que: foda-se se eu não conseguir aquilo que não foi briefado e que faltou. Foda-se se eu nao corresponder às espectativas. Foda-se, porque eu tô vivo e em outra oportunidade eu vou conseguir.

Realmente, a vida é muito maior que uma tela de 21 polegadas.