Tão difícil se desligar. Dizer: “Tchau! Obrigado! A gente se vê qualquer dia!”

Parece que a gente tem gosto em jogar âncoras pelo nosso caminho, tentando frear o tempo. Impedir que ele passe, que a gente fique mais velho e que tudo vire pó. Mas será que vira pó? E se virar, qual é o problema?

Quando o desligamento é forçado, a situação fica mais fácil do que parece. É importante viver os dois lados da moeda para saber. Exemplo um tanto óbvio e cliché é o namoro. É muito mais fácil tomar um pé na bunda do que ser macho e dizer: “Você já reparou que tá tudo uma merda?! Acho melhor darmos um tempo”.

O esforço que se faz pra chegar até o ponto de dizer “Tchau! Obrigado! A gente se vê qualquer dia!” é descomunal. Tem que praticar o desapego diariamente até chegar nesse ponto.

Quando se é o preterido, a coisa toma outro aspecto. A menos que se tenha uma auto-estima tão boa quanto estrela de Hollywood no auge da carreira, rola o lance da rejeição. E a rejeição é difícil demais! MAS, você foi rejeitado. Não te querem mais. Existe um motivo para você se acabar em lágrimas, se jogar na fossa e, literalmente, abraçar o capeta.

Pra quem termina, o que resta é um vácuo. Um buraco no peito, no estomago, na cabeça. Abre-se uma avenida de sentimentos, possibilidades, futuras histórias. É preciso, agora, andar pela avenida e não olhar para trás. Porque atrás está a âncora, que te dava estabilidade, segurança, conforto.

A âncora não é o que vai fazer com que sua vida valha a pena. Que ela deixe de ser mediocre. A avenida que foi aberta é que vai te levar a algum lugar. Pode ser que seja outra âncora. Um platô sentimental que te estabilize até que você retome o fôlego pra continuar.

Fácil de falar, fácil de imaginar. Mas pense em abrir essa tal avenida com as lágrimas de quem um dia você gostou muito. Daquela pessoa que você ficava esperando uma ligação no meio da tarde, para ter dar um ânimo. Que sabia exatamente onde pegar, onde apertar, onde beijar, onde morder. O que falar, o que não falar, quando falar, como falar.

A avenida daquele que foi deixado se abre sozinha. E a pessoa só tem que ter o período do luto (natural a todos) para poder seguir em frente.

Largar é mais difícil. Muito mais. São precisos motivos, razões, causas, e um número enorme de explicações que às vezes não existem. Fora isso, é preciso cortar amarras sozinho, ir embora sozinho, deixar tudo para trás. Sozinho.

Quem não consegue visualizar a situação, imagine-se encontrando um bilhetinho de amor do ex. no meio de algumas coisas perdidas. Você vai se lembrar da situação, do que você sentiu e de tudo que podia ter acontecido e que você, por seus motivos, impediu que acontecesse. Praticar o desapego eu acho que é pouco. É preciso sangue de barata.