“Está tudo bem.Está tudo bem?

Dor no corpo.

Febre.

Tosse.

Tosse.

Tosse.

Gripe?

Espirro.

Tosse.

Espirro com tosse.

Você se entope de remédios. – Isso deve resolver. Estou com a resistência boa.
Não resolve. Você trabalha quatro horas que parecem 40.

Nada de noite de sono. Entre tosses e febre que encharca, você acredita que levantará amanhã um pouco melhor pra trabalhar.

Mal consegue tomar banho no dia seguinte.

Será que é gripe?

Sim, é gripe.

Vai pro hospital.

Tosse. Espirro.

- Ao menos a tosse está em cima – diz o médico, como se estivesse falando de uma peça de carro fácil de substituir.

Febre.

Tosse.

Espirro.

E toma soro. E toma inalação.

- Tome esses dois remédios a cada oito horas. Este outro você toma um por dia, durante quatro dias – murmura o médico. – Quer atestado pra hoje e amanhã?

Você lança um olhar fulminante, que caracteriza a obviedade da pergunta.

- 60 reais, senhor – diz o caixa da primeira farmácia que você encontra. Nessas horas vc agradece aos céus por ter uma conta de banco com cheque especial, arrombado, mas um pouco mais arrombado não fará a diferença. Você talvez nem viva pra ter que cobri-la.

Remédios.

Oito horas depois, mais remédios.

Amigo louco late com vc ao telefone. Você não precisa disso.

Mais remédios.

Noite de sono? Não. Tosse. Muita tosse.

E a perspectiva de mais dois dias podre. Não é fabuloso?

Quanto tempo fazia mesmo que você não ficava doente? Uns dois anos?

Tomou, papudo.

Assim que sarar, tomo um tubo de vitamina C efervescente por semana.

E tosse, tosse, tosse…”

Raphael Vassão é paulistano, designer, 27 anos, com carinha de 20!

Quem diria.

Me tornei padrinho de blog de Tony Zagatto, do anteprojeto(s).

Escrito pelo Tony e por Mário do Val, o blog trata de arquitetura, sociedade e experiências de vida. Vale a pena dar um conferida no post que conta a experiência do arquiteto no centro histórico (que como ele mesmo diz, deve ser questionado quanto ao caráter histórico) da cidade de São Luis, no Maranhão.

Aliás, Tony já está convidado para arrancar algumas páginas aqui. Ele disse que está tomando coragem. Vamos esperar!

Bem vindo à blogosfera Tony! Sucesso!

Gravações, gravações, gravações…

Graças a Deus, isso pra mim é trabalho. E quanto mais trabalho melhor.
Não é apologia ao trabalho. É apologia ao não-desemprego e ao ócio nada criativo.

A maioria das pessoas que não estão envolvidas no mettier da produção de videos e filmes não sabe, mas a gravação de qualquer coisa, desde um videozinho pro YouTube, a um longa-metragem é um puta estresse. Tempo curto, pouca grana (time is money, indeed), diretor pentelho, cliente mais ainda, muita pressão pra tudo sair certo e bonito.

CLARO que nem sempre tudo acontece da melhor forma possível. Mas no fim, TEM que dar certo.

E pra que tudo dê certo é preciso que todas as partes se envolvam, até o pescoço. É como uma engrenagem: se um não faz direito, o outro não consegue trabalhar, nem o outro e assim vai.

Precisa paixão, precisa tesão. Sangue frio vai muito bem, também.

E depois que a tsunami passa, que todos já tiveram seus fígados comidos, em conjunto, é que dá pra ver a equipe. Todos no mesmo barco, com os mesmos problemas, que vão ser solucionados.

Na minha última gravação, quando eu achei que eu fosse matar alguém, ou passar mal de tanto estresse, recebi a notícia do falecimento de um conhecido de trabalho. Morte por pneumonia aos 27 anos.

Silêncio.

Pareceu que toda aquela energia que eu tava jogando fora, pro ar, caiu sobre mim quando eu recebi a notícia. Fora o choque que todo ser humano tem ao saber que algum conhecido morreu (não adianta, ninguém encara a morte bem), eu percebi que a vida é muito maior que um set de filmagem. Percebi que: foda-se se eu não conseguir aquilo que não foi briefado e que faltou. Foda-se se eu nao corresponder às espectativas. Foda-se, porque eu tô vivo e em outra oportunidade eu vou conseguir.

Realmente, a vida é muito maior que uma tela de 21 polegadas.