Cena 1: Otávio, sozinho, sentando na arquibancada de um circo, desses bem caídos, bem mambembe. No picadeiro, entra o apresentador, o dono malvado do circo (viva Chaplin!), de fraque e cartola. Luz sobre ele:
- Respeitável público! O circo orgulhosamente apresenta o maior espetáculo da Terra: a vida desse rapaz ruivo, sentado na arquibancada!
Entram palhaços, ilusionistas, malabaristas com celulares nas mãos, atiradores de facas, copos, garrafas, e toda sorte de objeto doméstico, animais selvagens, leões, cavalos, macacos, elefantes (sem domadores, é claaaro). Sensação quando entra o homem-bala! Ele se apresenta, faz toda uma cena, entra no canhão e sai voando pelos ares! Nunca mais se tem notícia dele! Genial!
E não se pode esquecer do número mais arriscado: o grupo de palhaços loucos, amarrados em camisas-de-força, que vêm contar piada para o espectadores! Eles são tão convincentes que a platéia acaba acreditando que as piadas são histórias reais! Um espetáculo ímpar! Nunca visto antes!
Essa é a minha vida! Um circo! Tô começando a ficar acostumado a esse espetáculo. Um dia tem show, no outro não tem. O bom de tudo isso, é que qualquer circo, por mais pé-sujo que seja, é sempre itinerante. Vida na estrada.
Quem sabe esse cirquinho de beira de estrada não deixa a minha cidade, pra que o Circo de Soléil, com todos aqueles números lindos, poéticos e bem ensaiados, possa chegar. Mas atenção! A mais nova atração do circo: a garotinha virgem que sonha com o príncipe encantado! Lá está ela, ao lado do ruivo na platéia! E vejam! O príncipe no cavalo branco entrou no picadeiro! O público vai ao delírio! Mas esperem… O príncipe é outro palhaço?! Ou um ilusionista? Não! O príncipe não veio… Teve um problema na polícia federal e não pode entrar no país! É, príncipe encantado tem muitos problemas legais. Deve ser por isso que existem tão poucos. Dá muito trabalho. Mais fácil ser palhaço…
Pra fechar esse post, já que estamos falando de palhaços e loucos, o clipe do “Girl Anachronism”, da banda The Dresden Dolls. Me sinto como a Girl Anachronism. Sou anacrônico. E eu gosto disso.
“Excuse me for the day. It’s just the way the medication makes her!”