Morrissey tem uma música cuja letra é um pouco pesada, mas que eu pude compreender quase que totalmente nesse feriado. “Everyday is like Sunday” fala de uma cidade costeira que deveria ter sido bombardeada e o cantor pede para que o Armagedon venha logo. Não considero uma música depressiva, mas sim um música de revolta contra a estagnação que nossa burguesia – pequena e alta – vive e tem prazer em assumir.

E é na praia, para os paulistanos um lugar de descontração e encontro com a natureza, que a burguesia vai à forra. Casas imensas, carros enormes, dinheiro a rodo e pela janela. Pouco ou nenhum sentimento comunitário. Medo da convivência social (forçada?) que a cidade proporciona e exige que vivamos. É nas cidades costeiras, onde a fuga é o mote, que tudo isso vem à tona e com muito glamour.

Fico com muito nojo, nojo mesmo, de todas essas pessoas, que são lindas, inteligentes, ricas, mas tão vazias quanto a casa de 3 milhões de dólares e 15 quartos com vista para o mar. Realmente, tudo o que eles podem nos dar é solidão com vista para o mar.

Mas, diferentemente de Morrissey, eu não queria que bombas destruíssem tudo. A natureza já sofreu muito por conta dessa burguesia podre. Uma peste, um epidemia seletiva, que se manifestasse somente dentro desse mundinho reduzido e hermético seria o ideal. Então, quando esse pequeno universo tivesse se consumido nele próprio, uma nova civilização, humana e social, viria para tomar conta. Sem haver mais o poder que o dinheiro impõe e é imposto pelos que o detém.

Tudo muito idealizado, tudo muito fora da realidade.

Talvez.

Acredito que a revolução esteja começando.

E as bombas nucleares virão disfarçadas, maqueadas.

Mas virão. De certo virão.