Sábado passado, 13h mais ou menos, eu esperava um amigo na praça da Igreja Sta. Cecília.
Íamos acompanhar uma amiga, pauteira da Record, que queria procurar pessoas que lêem mentes no Viaduto do Chá (nada pessoal, trabalho mesmo). Dia bonito. O sol forte, ofuscante.
Igreja, praça, playground, mendigos, camelôs. Tudo lá.
Pra poder fugir do sol, meu grande inimigo (sou ruivo, não vampiro), parei embaixo de uma sobra, de onde eu tinha uma visão privilegiada do playground da praça.
Duas garotas subiram na gangorra. Irmãs, provavelmente, porque eram parecidas na aparência e nas roupas. Deviam ter uns 7 anos, no máximo.
A cena me prendeu. Mas não foi a morte iminente da mais nova com a loucura de sobe-desce da mais velha que me chamou mais a atenção. Na verdade, eu comecei a ficar com muita raiva. Raiva por elas, com seus parcos anos, estarem vestidas como algo que ia demorar muito para elas serem. As duas mal sabiam andar nas botinhas de camurça preta (que eu já tinha notado, é moda mirim), nem com o vestido de lycra de frente única (!), ou com o tomara-que-caia, que caía, claro, sem nada pra segurar ou ser escondido, .
A mãe podia ter um pouco de noção. Se ela quer que as filhas se vistam como mulheres, ok. Mas não no playground.
Mas o que mais me dá medo, de verdade, é pensar que talvez a mãe preferisse que elas estivessem com um shortinho, uma camiseta, um vestidinho, uma sandália, o cabelo num rabinho-de-cavalo. Medo porque as duas meninas, do alto dos seus 7 anos, quisessem se vestir com um tomara-que-caia.